Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de abril de 2014

COMPAIXÃO: UTOPIA E MISSÃO


“Mostra-nos, Senhor, Teu amor e compaixão, e concede-nos a Tua Salvação.” Salmo 85,8. 
Era meio dia. O sol ardia sobre nossas peles. Estamos, com Jesus e com as juventudes, em Samaria.
Rompendo o silêncio, na comunhão dos corações, um jovem marcado pelas dores e amores de sua vida, perguntou a Jesus:
- Por que há tanto ódio? Tanta dor? Tanto sofrimento? Porque tanta morte? Tanto tráfico de pessoas?
Jesus olhou aquele jovem. Observou seus olhos. Sentiu suas dores. Seus amores. Suas lutas e sofrimentos.
- É que ainda falta compaixão. Ainda falta amor.
Imediatamente, uma jovem pediu:
- Senhor, nos ensine sobre a compaixão!
Jesus olhou nos olhos dos/as jovens que ali estavam. E lá estávamos todos. Todas as juventudes de nosso Continente. Olhou. Amou. E contou:
“Um homem ia descendo de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo, e o espancaram. Depois foram embora, e o deixaram quase morto. Por acaso um sacerdote estava descendo por aquele caminho; quando viu o homem, passou adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu, e passou adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e teve compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata, e as entregou ao dono da pensão, recomendando: ‘Tome conta dele. Quando eu voltar, vou pagar o que ele tiver gasto a mais’” (Lc 10, 30-35).
Fez-se longo silêncio. É que diante da compaixão resta-nos silêncio, silêncio de acolhida e deixar a história virar carne em nossa carne. Silêncio do amor. Silêncio também de quando somos egoístas com as dores e machucados da humanidade. Silêncio que nos faz amar e revisar a vida.
De repente uma jovem exclamou:
- Oxalá de nosso poço, no serviço a juventude, brote correntes de compaixão que inunde nossas vidas. Que encha a humanidade de amor e cuidado!
Todos/as responderam num só coro:
- Amém!

Mantra:  
Compaixão, Tu ensinaste aos nossos jovens com seu amor!
Em nossos poços, tens água viva para humanidade, cuidado e amor…
Em nossos poços, tens água viva para humanidade, cuidado e amor…


Cladilson Nardino, estudante de Eng. Civil, membro da coordenação arquidiocesana da PJ de Curitiba/PR 

Luis Duarte Vieira – Noviço Jesuíta e Militante da Pastoral da Juventude 

Maicon André Malacarne – Padre, assessor da Pastoral da Juventude da Diocese de Erexim/RS 

Fonte: PJB NE 3

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dia da Faxina

Estava precisando fazer uma faxina em mim... 
Jogar alguns pensamentos indesejados para fora, lavar alguns tesouros que andavam meio enferrujados...
Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais.
Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões... 
Papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei; Joguei fora a Raiva e o Rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que não li.
Olhei para meus sorrisos futuros e minhas alegrias pretendidas... 
E as coloquei num cantinho, bem arrumadas. Fiquei sem paciência!... 
Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão: Paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste... 
Mas lá também havia outras coisas... 
E belas! Um passarinho cantando na minha janela... 
Aquela lua cor de prata, o pôr do sol!... 
Fui me encantando e me distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças. Sentei no cão, para poder fazer minhas escolhas.
Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou.
Peguei as palavras de Raiva e de Dor que estavam na prateleira de cima, pois quase não as uso, e também joguei fora no mesmo instante!
Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que farei com elas, se as esqueço lá mesmo ou se mando para o lixão.
Aí, fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo o que é mais importante: o amor, a alegria, os sorrisos, um dedinho de Fé para os momentos que mais precisamos... 
Como foi bom relembrar tudo aquilo! Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as à mostra, para não perdê-las de vista.
Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurada bem a minha frente, coloquei a minha capacidade de amar... E de Recomeçar.

Reflexão sobre o texto acima:
Será que nós em nossas vidas já fizemos nossa faxina interior? Como será que estão nosso coração, nossa mente e nosso dia-a-dia, nossa vida em comunidade, nosso trabalho pastoral, será que está como Deus quer que esteja? E nós, será que estamos como Ele quer que estejamos?

Fonte: http://www.pjsul1.org/site/espiritualidade.php

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O FÓSFORO E A VELA

Chegou o dia em que o fósforo disse à vela:
“Eu tenho a tarefa de ascender-te”.
Assustada a vela respondeu:
“Não, isto não! Se eu estou acesa, então meus dias estão contados.
Ninguém vai mais admirar a minha beleza”.
O fósforo perguntou:
“Tu preferes passar a vida inteira inerte e sozinha sem ter experimentado a vida?”
“Mas queimar, dói e consome as minhas forças”.
Sussurrou a vela insegura e apavorada.
“É verdade, respondeu o fósforo;
mas é este o segredo da vocação.
Nós somos chamados para ser luz!
O que eu posso fazer é pouco.
Se não te acender, eu perco o sentido da minha vida.
Eu existo para acender o fogo.
Tu és uma vela;
Tu existe para iluminar os outros, para aquecer.
Tudo o que tu ofereces através da dor,
do sofrimento e do teu empenho será transformado em luz.
Tu não te acabarás consumindo-te pelos outros.
Outros passarão o teu fogo adiante.
Só quando tu te recusares, então morrerás!”
Em seguida a vela afinou o seu pavio
E disse cheia de expectativa:

“EU TE PEÇO: ACENDE-ME!”


Autor desconhecido

sábado, 20 de julho de 2013

Árvore dos Amigos

Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras vemos entre um passo e outro. A todas chamamos de amigo.Há muitos tipos de amigo. Talvez cada folha de uma Árvore caracteriza – se um deles. O primeiro que nasce do broto é o amigo – pai e a amiga – mãe. Mostram o que é ter vida. Depois vem o amigo–irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.
O destino, porém, nos apresentamos outros amigos, os quais não sabíamos      que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados, amigo do peito, do coração. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...
Ás vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e é chamado de amigo-namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés. Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na face, durante o tempo em que estamos por perto.
Falando em perto, não podemos nos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que, quando o vento sopra, sempre aparecem novamente uma folha e outra. O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas.
Umas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações. Mas o que nos deixa mais feliz é que as folhas caídas continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças dos momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho.
Desejo a você, folha da minha árvore, paz, amor, saúde, sucesso, prosperidade... Hoje e sempre... Simplesmente porque: cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida. É a prova evidente de que duas mãos não se encontram por acaso.


Autor desconhecido

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A Raposa e o Lenhador


Existiu um lenhador que acordava às 6 da manhã e trabalhava o dia inteiro cortando lenha, e só parava tarde da noite. 

Esse lenhador tinha um filho, de poucos meses e uma raposa, sua amiga, tratada como bicho de estimação e de sua total confiança.

Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando de seu filho. Todas as noites, ao retornar do trabalho, a raposa ficava feliz com sua chegada. Os vizinhos do lenhador alertavam que a raposa era um bicho, um animal selvagem; e portanto, não era confiável. Quando ela sentisse fome comeria a criança. O lenhador sempre retrucando com os vizinhos falava que isso era uma grande bobagem. A raposa era sua amiga e jamais faria isso. Os vizinhos insistiram.

- Lenhador, abra os olhos. A raposa vai comer seu filho. Quando sentir fome, comerá seu filho!

Um dia, o lenhador muito exausto do trabalho e muito cansado desses comentários - ao chegar em casa viu a raposa sorrindo como sempre e sua boca totalmente ensangüentada. O lenhador suou frio e sem pensar duas vezes acertou o machado na cabeça da raposa... Ao entrar no quarto desesperado, encontrou seu filho no berço dormindo tranqüilamente e ao lado do berço uma cobra morta....

O lenhador enterrou o machado e a raposa juntos.


Se você confia em alguém, não importa o que os outros pensem a respeito, siga sempre o seu caminho e não se deixe influenciar...
E principalmente não tome decisões precipitadas...                                                                                        
Autor desconhecido 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A FLOR DA VIDA


Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe pagava muitíssimo bem, uma família unida.

O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.

Se o trabalho lhe consumia muito tempo, ela tirava dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido... E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois.

Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia um apenas exemplar em todo o mundo.

E disse à ela:
- Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, ás vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse   perfume maravilhoso e essas lindas flores.

A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual.
Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a sua vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor.

Ela chegava em casa, olhava a flor e as flores ainda estavam lá, não mostravam sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela passava direto.

Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou em casa e levou um susto!

Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores caídas e suas folhas amarelas.

A jovem chorou muito, e contou a seu pai o que havia acontecido.

Seu pai então respondeu:
- Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor, porquê não existe outra igual a essa, ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que o Senhor te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem.

Você se acostumou a ver a flor sempre lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de cuidar dela. Cuide das pessoas que você ama!

E você? Tem cuidado das bênçãos que Deus tem te dado? Lembre-se da flor, pois como ela, são as bênçãos do Senhor: Ele nos dá, mas nós é que temos que cuidar delas.

"Felicidade é saber aproveitar todos os momentos como se fossem os últimos".


Lea Waider


“Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”.
Madre Teresa de Calcutá

domingo, 20 de maio de 2012

O OLEIRO E O POETA


Nas horas graves, os olhos ficam cegos; é preciso, então, enxergar com o coração.
Antoine de Saint-Exupery


O OLEIRO E O POETA
Há muito tempo, na cidade de Zahlé, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib.
Para evitar que o tumulto se agravasse, eles foram levados à presença do juiz do lugarejo.
O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado.
"Disseram-me que você foi agredido? Isso é verdade?"
"Sim, senhor juiz." - confirmou o oleiro - "fui agredido em minha própria casa por este poeta”. Eu estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ruído e a seguir um baque.
Quando fui à janela pude constatar que o poeta Fauzi havia atirado com violência uma pedra, que partiu um dos vasos que estava a secar perto da porta.
Exijo uma indenização!" - gritava o oleiro.
O juiz voltou-se para o poeta e perguntou-lhe serenamente: "Como justifica o seu estranho proceder?”.
"Senhor juiz, o caso é simples." - disse o poeta.
"Há três dias eu passava pela frente da casa do oleiro Nagib, quando percebi que ele declamava um dos meus poemas. Notei com tristeza que os versos estavam errados. Meus poemas eram mutilados pelo oleiro.
Aproximei-me dele e ensinei-lhe a declamá-los da forma certa, o que ele fez sem grande dificuldade.
No dia seguinte, passei pelo mesmo lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada.
Cheio de paciência tornei a ensinar-lhe a maneira correta e pedi-lhe que não tornasse a deturpá-los.
Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa do oleiro, percebi que ele declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos.
Não me contive. Apanhei uma pedra e parti com ela um de seus vasos.
Como vê, meu comportamento nada mais é do que uma represália pela conduta do oleiro."
Ao ouvir as alegações do poeta, o juiz dirigiu-se ao oleiro e declarou: "que esse caso, Nagib, sirva de lição para o futuro. Procure respeitar as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as suas. Se você equivocadamente julgava-se no direito de quebrar o verso do poeta, achou-se também o poeta egoisticamente no direito de quebrar o seu vaso".
E a sentença foi a seguinte: "determino que o oleiro Nagib fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta Fauzi escreverá um de seus lindos versos. Esse vaso será vendido em leilão e a importância obtida pela venda deverá ser dividida em partes iguais entre ambos”.
A notícia sobre a forma inesperada como o sábio juiz resolveu a disputa espalhou-se rapidamente.
Foram vendidos muitos vasos feitos por Nagib adornados com os versos do poeta. Em pouco tempo Nagib e Fauzi prosperaram muito. Tornaram-se amigos e cada qual passou a respeitar e a admirar o trabalho do outro.
O oleiro mostrava-se arrebatado ao ouvir os versos do poeta, enquanto o poeta encantava-se com os vasos admiráveis do oleiro.
Cada ser tem uma função específica a desenvolver perante a sociedade. Por isso, há grande diversidade de aptidões e de talentos.
Respeitar o trabalho e a capacidade de cada um possibilita-nos aprender sobre o que não conhecemos e aprimorar nossas próprias atividades.
Respeito e colaboração são ferramentas valiosas para o desenvolvimento pessoal e coletivo.  

domingo, 15 de abril de 2012

PEGADAS NA AREIA


   




Uma noite eu tive um sonho...

Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do céu, passavam cenas da minha vida.

Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro do Senhor.

Quando a última cena passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver.

Isso me aborreceu deveras e perguntei então ao Senhor:

-Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvi te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o caminho. Contudo, notei que durante as maiores atribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.

O Senhor me respondeu:
-Meu querido filho. Jamais eu te deixaria nas horas de provas e de sofrimento.
Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exatamente aí que eu te carreguei nos braços.


 Do livro "Pegadas na areia" - Margareth Fishback Powers - Ed.Fundamento

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

PARÁBOLA DA CADEIRA

          Era uma vez uma cadeira, velha, vacilante, uma das mais arrebentadas que já se viu. Sua pintura estava toda enrugada, gasta, a cor desbotada. Verdadeiramente um desastre! Não podia mais sustentar o próprio peso, crescente de ano para ano. Raspões, sujeiras, manchas, pés frágeis, pedaços quebrados. Não chegava mesmo a se lembrar de sua beleza primitiva. Uma camada de pintura após outra era toda a sua vida passada. Parecia tão mal que alguns sugeriram até cobri-la para não ferir a visão dos outros. Uma vez por outra, uma nova retocada na pintura a melhorava. Depois, novamente, rachava e descascava de alto a baixo, tornando-a pior do que antes. Era preto em cima de vermelho, azul, verde, branco, amarelo, camada por camada... Pobre cadeira! Como recordar o que era, sob tantas camadas sucessivas?   
         

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Texto - A fraternidade do poço


Os moradores da aldeia procuravam a felicidade sem encontrá-la. Um dia alguém lhes falou:
-      Gente, a felicidade esconde-se no fundo daquele poço, lá na praça...
Todos saíram correndo para o local indicado. Dezenas de mãos fizeram corrente, puxando a corda. E o balde subia do fundo do poço. Um brilho de expectativa indescritível nos olhos de todos. Finalmente concretizaram seu grande anseio.
Súbito, a cruel decepção. Na ponta da corda, apenas um velho balde. Furado, feio, enferrujado e vazio. Dolorosamente vazio. O grupo se entreolha triste, arrasado. Fora apenas um sonho, ilusão. Mais uma derrota ao lado de tantas outras. Quebrando o pungente silêncio, de rosto iluminado, alguém falou:
-      Eu acho que deveríamos agradecer, apesar de tudo... Meia hora atrás, éramos ilustres desconhecidos. Estranhos na mesma aldeia. A gente se conheceu agora, chegou mais perto um do outro. esse balde vazio e enferrujado nos aproximou!
No outro lado da corda, a grande descoberta. A descoberta do grupo, da comunidade. A alegria da entreajuda, do encontro, da partilha, da amizade. Descoberta maravilhosa com gosto de esperança, de novas perspectivas desenhadas no horizonte.
Pequena história que se repete constantemente. Tudo o que nos irmana e aproxima é graça, dom, benefício. Mesmo que os "baldes da vida" não nos tragam, necessariamente, a necessidade sonhada, o prêmio que perseguimos, o tesouro ambicionado. A solidariedade enraíza-se no Evangelho, enlaçando almas e corações. Sempre que nos chegamos mais perto, um milagre acontece.

domingo, 20 de novembro de 2011

A arte do encontro



                    Saber dizer as palavras certas, 
                       no momento certo, para as pessoas certas,
                         é descobrir a arte do encontro com os outros...
                         A única arte realmente importante na vida
                      é a arte do encontro com o outro.
                Daí a real importância de encontrar
                 as palavras certas, nos momentos certos,
para pessoas certas...
                 Para haver encontro,  deve haver boa vontade.
       Não há encontro quando o egoísmo
   e a ambição falam mais alto que o amor...
O ser humano foi feito para o amor...
     para o encontro, e não para o desencontro.
    O encontro nos plenifica...nos realiza...
                           O desencontro nos frustra...
                                        gera solidão...
                 A arte de ir ao encontro do outro,
        exige um aprendizado e reclama humildade
                               e coração desarmado.

sábado, 29 de outubro de 2011

Aprendendo a escrever na areia

Dois grandes mercadores árabes, de nomes Amir e Farid, eram muito amigos e sempre que faziam suas viagens para um mercado onde vendiam suas mercadorias, iam juntos, cada um com sua caravana e seus escravos e empregados.

Numa dessas viagens, ao passarem junto a um rio caudaloso, Farid resolveu banhar-se, pois fazia muito calor. Em dado momento, distraindo-se, foi arrastado pela correnteza. Amir, vendo que seu grande amigo corria risco de vida, atirou-se nas águas e, com inaudito esforço, conseguiu salvá-lo. Após esse episódio, Farid chamou um de seus escravos e mandou que ele gravasse numa rocha ali existente, a seguinte frase: "Aqui com risco de sua própria vida, Amir salvou seu amigo Farid." Ao retornarem, passaram pelo mesmo lugar, onde pararam para rápido repouso. Enquanto conversavam, tiveram uma pequena discussão e Amir alterando-se esbofeteou Farid. Este se aproximou das margens do rio e, com uma varinha, assim escreveu na areia: "Aqui, por motivos fúteis, Amir esbofeteou seu amigo Farid."

O escravo que fora encarregado de escrever na pedra o agradecimento de Farid, perguntou-lhe: "Meu senhor, quando fostes salvo, mandaste gravar aquele feito numa pedra e agora escreveis na areia o agravo recebido. Por que assim o fazeis?"

Farid respondeu-lhe:

"Os atos de bondade, de amor e abnegação devem ser gravados na rocha para que todos aqueles que tiverem oportunidade de tomar conhecimento deles, procurem imitá-los. Ao contrário, porém, quando recebemos uma ofensa, devemos escrevê-la na areia, próximo às águas para que desapareça, levada pela maré, a fim de que ninguém tome conhecimento dela e, acima de tudo, para que qualquer mágoa desapareça prontamente de nosso coração..."

Autor desconhecido

Poesia Sonho (Clarice Lispector)

Clarice Lispector - Sagitariana INTENSA! Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Morrer lentamente...

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou quem não conversa com que não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pingos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos, dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Pablo Neruda

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A borboleta no casulo





Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.

Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais. Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas.
O homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com que a natureza fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se passássemos esta nossa vida sem quaisquer obstáculos, nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido.

Eu quis Força... e recebi Dificuldades para me fazer forte.
Eu quis Sabedoria... e recebi Problemas para resolver.
Eu quis Prosperidade... e recebi Cérebro e Músculos para trabalhar.
Eu quis Coragem... e recebi Perigo para superar.
Eu quis Amor... e recebi pessoas com Problemas para ajudar.
Eu quis Favores... e recebi Oportunidades.
Eu não tive nada do que quis ... Mas eu recebi tudo de que precisava.

Esquecer para lembrar - Rubens Alves


          Um amigo comprou uma casa velha, de mais de um século, conservada, como muitas que por aí existem. Muitas coisas a serem consertadas. Tudo teria que ser pintado de novo. Antes de pintar com as cores novas ele achou melhor raspar das paredes a cor velha, um azul sujo e desbotado. Raspado o azul, debaixo dele surgiu uma cor rosa, mais velha ainda que o azul. Raspou-a também. Aí apareceu o creme, e depois do creme o branco... Cada morador havia coberto a cor anterior com uma cor nova. E assim ele foi indo, pacientemente, camada após camada. Queria chegar à cor original, que apareceria depois que todas as camadas de tintas fossem raspadas. Finalmente o trabalho terminou. E o que encontrou foi surpresa inesperada que o encheu de alegria. Mais bonito que qualquer tinta: madeira linda, o maravilhoso pinho de riga, com nervura formando sinuosas linhas que entrelaçam, de cor castanha, contra um fundo marfim.

Somos esta casa. Ao nascer, somos pinho de Riga puro. Mas logo começaram as demãos de tintas. Cada um pinta sobre nós a cor de sua preferência. Todos são pintores: pais, avós, professores, padres, pastores. Até que o nosso corpo desaparece. Claro, não é com tinta e pincel, é a fala. A tinta são as palavras. Falam as palavras grudam no corpo, entram na carne. Ao final o nosso corpo está coberto de tatuagens da cabeça aos pés. Quem somos?

domingo, 16 de outubro de 2011

Os dez mandamentos da reconciliação

Os dez mandamentos da reconciliação

(Godfried Danneels)



Com os dez mandamentos, da reconciliação o autor quer mostrar o quanto o perdão carrega  consigo de visão da pessoa e das relações intersubjetivas.


1.      Aceitar a nós mesmos tal como somos, e com alegria.

2.      Levar em conta que temos recebido muito mais do que o que nos falta.

3.      Agradecer muito mais que lamentar.

4.      Elogiar os outros e fazê-lo em voz alta.

5.      Nunca se comparar aos outros; tal comparação só leva ao orgulho e à desesperança, sem nos fazer felizes.

6.      Viver na verdade sem medo e chamar de bem o que é bem, e de mal o que é mal.

7.      Resolver os conflitos pelo diálogo e não pela força: guardar em si os rancores só pode levar á tristeza.

8.      Nesse diálogo, começar com o que une, e só depois abordar o que divide.

9.      Dar o primeiro passo para a reconciliação antes da noite.

10.  Convencer-se de que perdoar é mais importante que ter razão.

Referência bibliográfica
Ide, Pascal. É possível perdoar? São Paulo: Loyola, 1999;

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Texto: Acreditar e agir

Acreditar e agir

Um viajante ia caminhando em solo, distante, às margens de um grande lago de águas cristalinas. Seu destino era a outra margem. Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem coberto de idade, um barqueiro, quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. Um pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada era provido de dois remos de madeira de carvalho. Logo seus olhos perceberam o que parecia ser letras em cada um dos remos. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, o viajante pode observar que se tratava de duas palavras. Num deles estava entalhada a palavra acreditar e no outro remo a palavra agir. Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos.

O barqueiro respondeu pegando o remo chamado acreditar e remando com toda a força. O barco então começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o outro remo, onde estava escrito agir, e remou com todo o vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto sem ir adiante. Finalmente o velho barqueiro segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente, e o barco impulsionado por ambos os lados navegou através das águas do lago chegando ao seu destino que era a outra margem. Então, o barqueiro disse respondendo ao viajante: “Este porto se chama autoconfiança. Simultaneamente é preciso acreditar e também agir para que possamos alcançá-lo”.

Autor desconhecido



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...